O Paradoxo do “Bandido Bom é Bandido Morto”

Impunidade
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A OPORTUNIDADE FAZ O LADRÃO – CERTO OU ERRADO?

Não é a ocasião que cria um ladrão do zero.
A ocasião apenas revela quem já tem perfil para isso.
Ao mesmo tempo, a falta de oportunidade – de educação, família, disciplina, lazer, cultura e projetos sociais – pode ajudar a formar esse perfil.

É assim que precisamos olhar para o ditado “a oportunidade faz o ladrão”.
Ele é simples, popular, mas não conta a história inteira.


Quem é, na prática, o “ladrão”?

No dia a dia, usamos a palavra “ladrão” para tudo. Mas juridicamente, interessa entender duas situações básicas:

  • Roubo: quando alguém subtrai algo com violência ou ameaça contra a vítima.
  • Furto: quando alguém subtrai algo sem violência ou ameaça, aproveitando descuido ou ausência.

Em ambos os casos, quem pratica esse ato é, na linguagem comum, o “ladrão”.

Não é um fenômeno recente. Desde as civilizações antigas já havia punição para quem se apropriava do que não era seu. O Código de Hamurabi, na antiga Babilônia (século XVIII a.C.), incluía regras duras contra esses crimes. A sociedade sempre tentou proteger o patrimônio e a vida.

Defendo a vida e o Estado de Direito. Punição não é vingança: é uma das formas de conter o crime e proteger quem cumpre a lei.


A ocasião faz o ladrão… ou apenas o revela?

O ditado popular sugere que qualquer pessoa, se tiver oportunidade, comete crime.
Isso não é verdade.

A grande maioria das pessoas:

  • tem princípios,
  • tem valores,
  • sabe diferenciar certo e errado,

e não vai roubar ou furtar só porque surgiu uma chance.

Machado de Assis já corrigia esse pensamento. Ele dizia que:

não é a ocasião que faz o ladrão;
a ocasião faz o furto, o ladrão já nasce feito.

A ideia é simples:

  • a ocasião facilita o ato – oferece o momento;
  • mas não cria, sozinha, o caráter da pessoa.

A oportunidade traz à tona quem o indivíduo realmente é.
Como lembra Mario Sergio Cortella, o momento não define todo o caráter; ele apenas o revela.


Crime não tem “causa única”

Outro erro comum é imaginar que exista um motivo isolado que explique toda forma de crime.

O crime é um fato social complexo, que depende de vários fatores:

  • política de segurança pública consistente,
  • condições econômicas mínimas,
  • saneamento básico,
  • acesso à cultura e ao esporte,
  • e, principalmente, educação – na escola e dentro de casa.

Não há uma “doença individual” que, por si só, transforme alguém em criminoso.
O crime está ligado ao funcionamento – ou à falha – da ordem social.

Tentar frear a violência urbana com ações pontuais, isoladas e midiáticas não funciona.
Precisamos de projetos de Estado, de longo prazo, em vez de remendos políticos para responder ao noticiário.


Impunidade, adolescentes e disciplina familiar

No Brasil, o debate sobre segurança se intensifica quando aumentam os latrocínios e os casos envolvendo adolescentes, hoje chamados de:

“adolescentes em conflito com a lei”.

Nome elegante, mas a realidade é dura:

  • muitos já foram apreendidos diversas vezes,
  • e continuam praticando crimes.

Isso revela dois problemas sérios:

  1. Impunidade – leis e práticas que não interrompem a trajetória criminosa.
  2. Falha na educação básica dentro da família – falta de disciplina, limites e formação moral.

A criança precisa crescer aprendendo o que é certo e errado.
Esse é um dever dos pais, não apenas da escola.
A escola reforça, mas a base de caráter começa em casa.


Então, a oportunidade faz ou não faz o ladrão?

Podemos ajustar o ditado de forma mais fiel à realidade:

  • A oportunidade não faz o ladrão.
    Ela apenas expõe o ladrão que já existe – aquele que, diante da chance, escolhe o caminho errado.
  • A falta de oportunidade, porém, pode ajudar a formar o ladrão.
    Quando faltam:
    • educação de qualidade,
    • família presente,
    • disciplina,
    • opções de lazer, cultura e esporte,
    • perspectivas reais de futuro,

e quando a impunidade mostra, na prática, que “compensa” arriscar, alguns jovens acabam se perdendo no crime.

Em muitos casos, vemos na rua os chamados “crimes de oportunidade”:

  • o criminoso observa,
  • espera a brecha,
  • estuda a rotina,
  • e age no momento em que percebe vulnerabilidade.

A ocasião não cria o ladrão, mas é o cenário que ele aproveita para agir.


Conclusão

A frase “a oportunidade faz o ladrão” é, no mínimo, incompleta.

  • A ocasião não transforma uma pessoa honesta em criminosa.
  • Ela revela quem já está predisposto a cruzar a linha.

Se queremos reduzir a violência e proteger a população, precisamos:

  • de leis claras e punições efetivas,
  • de combate real à impunidade,
  • de educação forte,
  • de famílias presentes,
  • de projetos de Estado que ofereçam oportunidades de vida digna.

Assim, formamos cidadãos que, mesmo diante da oportunidade errada, escolhem o caminho certo.
É nisso que se apoia qualquer projeto sério de segurança: Educar para Proteger.

 

Author: Cel WILLIAN

Sou o Coronel Willian, Ex Comandante Geral da PMES. Combato o crime há mais de 35 anos. Defendo a vida e a família, minha bandeira é a luta contra a Impunidade. "Lugar de bandido é na Cadeia."

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