A IMPUNIDADE COMO GÊNESE DO CRIME NO BRASIL

Impunidade
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No Brasil, quem comete crime grave muitas vezes tem mais chance de sair livre do que quem trabalha honestamente tem de se sentir seguro.
Isso tem nome: impunidade. E ela não é detalhe — é um dos grandes motores da nossa violência.

Se a sociedade vê, dia após dia, criminosos reincidentes voltando às ruas, o recado é simples e perigoso: “o crime compensa”. É nesse terreno que a criminalidade cresce.


O exemplo que estamos dando às futuras gerações

Parto de uma premissa básica: o exemplo é a melhor forma de educar.

Então, pergunto:

  • Que exemplo nossos filhos e netos estão recebendo?
  • Que mensagem passa um país em que:
    • um bandido é preso “inúmeras vezes”,
    • volta para a rua,
    • e repete violência contra inocentes?

A violência urbana, que ceifa vidas e destrói famílias, virou quase rotina.
O que sempre foi inadmissível passou a ser tratado como “normalidade estatística”.

O resultado é um ambiente em que:

  • adultos se acostumam à notícia,
  • e jovens crescem achando que a vida vale pouco,
  • que respeitar as regras é opção — não obrigação.

Sociedade precisa de regra, e regra precisa ser cumprida

Somos seres que vivem em grupo.
Para a convivência ser minimamente pacífica, precisamos de:

  • leis claras,
  • regras de comportamento,
  • consequências para quem escolhe viver à margem.

No Brasil, matar, roubar, agredir são atos proibidos por lei.
Isso existe para proteger a coletividade.

Mas surge a pergunta incômoda:

Que leis são essas que, na prática, não conseguem proteger quem cumpre seus deveres?

Não basta dizer que “a legislação é boa, o problema é a aplicação”.
O cidadão comum julga pela realidade:

  • criminoso reincidente solto,
  • processos que não andam,
  • penas que não se cumprem,
  • brechas que viram “lacunas” exploradas por quem tem boa defesa.

Quando a lei não se faz sentir, o que cresce não é a justiça — é o sentimento de injustiça e desamparo.


Educação, família e a formação de caráter

Segurança pública não começa na viatura, começa em casa.

Há um texto famoso, conhecido como “Como criar um delinquente”, que resume bem alguns erros de formação:

  • dar tudo o que o filho quer, sem limites;
  • achar graça quando ele desrespeita, xinga e humilha;
  • evitar qualquer esforço ou responsabilidade;
  • sempre tomar o lado dele contra vizinhos, professores, policiais;
  • delegar à escola o que é dever dos pais.

O efeito disso, somado à impunidade, é previsível:

  • jovens que se acham acima das regras,
  • sem noção clara de certo e errado,
  • e que veem o crime como atalho para poder e dinheiro.

Ser criminoso não é questão de raça, de gênero ou de um único fator econômico.
Mas é, sim, reflexo de:

  • formação falha,
  • ambiente permissivo,
  • ausência de disciplina,
  • e um cenário em que o Estado não mostra, com firmeza, que quem escolhe o crime será punido.

Pais, assumamos nossas responsabilidades.
Educação familiar é barreira inicial contra a criminalidade.


“Adolescentes em conflito com a lei” e a realidade dura

Hoje usamos a expressão:

“adolescentes em conflito com a lei”

para tratar de jovens que cometem atos violentos.

Mas por trás do eufemismo, a realidade é:

  • muitos já praticaram roubos, latrocínios, tráfico,
  • já passaram por medidas socioeducativas,
  • e continuam agindo com crueldade e desprezo pela vida alheia.

O debate sobre maioridade penal é importante e merece um texto próprio.
Aqui, o ponto é a contradição:

  • aos 16 anos, o jovem pode votar,
  • mas juridicamente ainda não é considerado plenamente responsável por matar ou roubar.

Enquanto isso, famílias inteiras sofrem com crimes praticados por adolescentes que:

  • sabem o que fazem,
  • conhecem os limites da lei,
  • e se aproveitam deles.

Impunidade, somada a brechas legais, sinaliza que a consequência não é tão dura quanto o dano causado.


Impunidade, brechas legais e sensação de injustiça

Não há equivalência entre imunidade (proteção legal legítima, como em certos cargos) e impunidade (falha em punir quem comete crime).

Mas, na prática, o cidadão vê:

  • códigos penais e processuais cheios de brechas,
  • recursos intermináveis,
  • penas que se transformam,
  • e quem tem bom advogado conseguir escapar ou reduzir muito seus efeitos.

Isso gera a percepção de “imunidade à lei” para alguns, enquanto a população comum se sente desprotegida.

Importante deixar claro:

  • O Judiciário não é “vilão automático”.
  • Juízes e tribunais cumprirão o que as leis permitem ou determinam.

Se a lei abre espaço demais para não punir ou punir pouco, o problema é do sistema, não apenas de quem aplica.


Presídios ou escolas? A falsa escolha

Sempre que falamos em segurança, surge a frase:

“Ao invés de construir presídios, deveríamos construir mais escolas.”

Ela traz uma boa preocupação: educação é fundamental.
Mas não pode virar desculpa para:

  • aceitar a ideia de que bandido não deve ser punido,
  • normalizar a presença de criminosos reincidentes nas ruas.

Sim:

  • precisamos de mais escolas,
  • melhor educação,
  • projetos de cultura, esporte, lazer.

Mas também precisamos de:

  • presídios em condições mínimas de dignidade,
  • penas que sejam cumpridas,
  • mecanismos que desestimulem o retorno ao crime.

Não faço apologia ao encarceramento como solução única.
Defendo, com firmeza, que quem comete crime deve ser punido, e essa punição tem que:

  • desencorajar o próprio criminoso a repetir o erro,
  • servir de exemplo para outros que pensam em seguir o mesmo caminho.

Quando o crime passa a “compensar”

Hoje, muitos trabalhadores levam anos, uma vida inteira, para construir patrimônio:

  • uma casa,
  • um pequeno negócio,
  • um carro.

E, em segundos, podem perder tudo em um assalto, em um roubo violento, em um golpe.

Se quem pratica esses crimes:

  • é identificado,
  • é preso,
  • mas sai rapidamente,
  • volta a agir,
  • e raramente cumpre uma pena proporcional,

a mensagem que se espalha é:

“Está vantajoso ser criminoso no Brasil.”

Eu não digo que é – no sentido de uma verdade absoluta e definitiva.
Digo que, pela prática atual, parece ser.
E isso é gravíssimo.


Precisamos de um choque: cultural e comportamental

A maioria da população brasileira é:

  • ordeira,
  • trabalhadora,
  • pacífica,
  • e quer viver em paz.

Estamos, porém, ficando reféns de uma minoria que aterroriza a maioria.

O Brasil é maior do que isso.
Mas precisa reagir de forma séria.

Alguns caminhos:

  • fortalecer leis e fechar brechas que favorecem a impunidade;
  • garantir que penas sejam cumpridas com justiça, sem crueldade, mas com firmeza;
  • investir pesado em educação básica, formação de caráter e disciplina;
  • apoiar famílias na tarefa de educar, sem substituí-las;
  • criar projetos de Estado de longo prazo para cultura, esporte e oportunidades.

Conclusão: impunidade como motor do crime

O crime não nasce de uma “causa única”.
É resultado de um conjunto de fatores sociais, econômicos, familiares e individuais.

Mas a impunidade, no Brasil, é um combustível poderoso para a criminalidade.
Ela:

  • corrói a confiança da população no sistema de justiça,
  • incentiva reincidência,
  • transmite aos jovens a ideia de que “vale a pena arriscar”.

Se queremos segurança real para nós, nossos filhos e netos, precisamos:

  • de leis que funcionem,
  • de punições aplicadas,
  • de educação sólida,
  • de famílias atuantes,
  • e de uma cultura que não aceite a impunidade como parte inevitável do nosso jeito de ser.

Este canal existe para isso: discutir, informar e formar opinião sobre o que queremos para a nossa segurança e para o Brasil.

Educar para Proteger. Sempre.

Author: Cel WILLIAN

Sou o Coronel Willian, Ex Comandante Geral da PMES. Combato o crime há mais de 35 anos. Defendo a vida e a família, minha bandeira é a luta contra a Impunidade. "Lugar de bandido é na Cadeia."

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