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Coronel da PM sofre tentativa de assalto, reage e mata criminoso em Guarapari, ES | G1
Com uma arma apontada para minha cabeça, ele gritava comigo – “Vou arrebentar sua cabeça”. Controlei minha emoção pois sabia do risco que estava correndo. Precisava manter minha calma………
Quando um criminoso aponta uma arma para a sua cabeça, ele está apostando em duas coisas:
que você tem algo de valor…
e que, mesmo se for preso, não vai ficar muito tempo atrás das grades.
Isso se chama impunidade. E é por isso que o Brasil precisa se olhar no espelho.
QUANDO A ARMA ESTÁ EM SUA DIREÇÃO
Era final de tarde. Chegando em casa, cansado depois do trabalho como personal trainer, fui abordado por um homem em uma bicicleta.
Veio por trás, alterado, gritando, com uma arma em punho:
“Passa o relógio senão eu estouro sua cabeça!”
Levantei as mãos, sem reagir.
Pedia calma, dizendo que iria entregar o relógio.
Sou especialista em armamento e tiro, mas naquele primeiro momento:
- não consegui identificar o calibre da arma,
- só sabia que eu estava na linha de fogo.
Enquanto tirava o relógio, ele avançou mais foi o momento que tive noção do perigo que corria e em fração de segundos toda minha vida passou em relances em minha mente:
- pediu o celular,
- e pediu a carteira.
Ali, um detalhe faz diferença:
- quase ninguém carrega dinheiro na carteira hoje,
- mas eu sabia que, se ele abrisse a minha, veria minha identidade de policial militar.
Na cabeça de um criminoso, ao descobrir que é um PM, a lógica costuma ser simples e brutal:
“Melhor matar agora do que arriscar depois.”
A DIFERENÇA ENTRE REAGIR E SOBREVIVER
Com as mãos erguidas, continuei tentando controlar a situação:
- disse que era professor,
- apontei para o bolso onde estava o celular,
- ganhei alguns segundos.
Ele começou a se acalmar um pouco, baixou a arma, e tentou colocar o meu relógio no próprio pulso.
Foi nesse instante que surgiu a oportunidade:
- saquei minha arma,
- apontei para ele,
- dei voz de prisão:
“Polícia Militar! Você está preso!”
Ele largou a bicicleta e saiu correndo.
Gritei algumas vezes para que parasse, mas não obedeceu.
Quando virou o corpo para olhar a distância, vi apenas uma coisa:
- o cano da arma dele,
- por ser destro, girou para à esquerda.
Não hesitei.
Efetuei um único disparo de combate.
Ele foi alvejado e caiu.
Afastei a arma dele com o pé. Pelo peso, tive clareza do risco que havia corrido.
Liguei imediatamente para o 190.
SAMU, viaturas, perícia.
Constatado óbito.
Mais tarde, na delegacia, o delegado me mostrou a arma com surpresa:
era um simulacro de pistola – uma réplica muito bem feita, difícil de diferenciar naquele momento.
Eu estava vivo. Ele não.
A LIÇÃO QUE PRECISA FICAR CLARA
Você pode perguntar:
“Mas Coronel, o senhor sempre diz para não reagir. E o senhor reagiu.”
Sim. Reagi. Mas por dois motivos essenciais:
- Sou preparado para isso
- treinamento em armamento,
- experiência em situações de confronto,
- domínio técnico e emocional.
- Tive oportunidade real de reação
- a arma dele estava baixa,
- minha mão próxima à minha arma,
- havia um mínimo de controle da situação naquele segundo.
Esses dois fatores, juntos, quase nunca existem para o cidadão comum.
Por isso a orientação é firme:
NUNCA REAJA A UM ASSALTO.
Por quê?
- Bens materiais podem ser recuperados.
- Sua vida, não.
- E o mais importante: “NÃO DUVIDE DISSO”
Na cabeça de muitos criminosos, a vida da vítima vale zero:
- ele atira sem medo,
- porque sabe que, se for preso, a chance de:
- pegar pena baixa,
- conseguir benefício,
- ou voltar rápido às ruas,
é grande.
E aqui entra a pergunta que dá título ao vídeo e a este artigo:
Que país é esse, em que quem trabalha vive com medo, e quem escolhe o crime aposta na impunidade?
Impunidade: o combustível por trás da violência
Crime não tem causa única.
Há fatores sociais, econômicos, familiares, individuais.
Mas a impunidade é um gargalo central:
- o criminoso de hoje conhece as brechas da lei,
- sabe que a punição é incerta,
- vê amigos reincidentes voltando às ruas.
Quando o Estado:
- não pune com firmeza,
- não cumpre a pena até o fim,
- não fortalece investigação e processo,
ele manda um recado perigoso:
“Arrisca. Se der errado, a chance de ficar pouco tempo preso é grande.”
Enquanto isso:
- o cidadão de bem anda com medo,
- evita sair à noite,
- desconfia de cada aproximação na rua.
CONCLUSÃO: O QUE VOCÊ PRECISA LEVAR DESTE RELATO
A ideia central é simples:
- não reaja a assalto;
- valorize sua vida acima de qualquer objeto;
- entenda que, na cabeça de muitos criminosos, sua vida vale menos do que o relógio ou o celular.
Ao mesmo tempo:
- cobre leis mais firmes,
- cobre aplicação séria da justiça,
- apoie projetos de educação, família e disciplina,
- entenda que sem punição efetiva, o crime segue compensando.
Eu sobrevivi porque tinha:
- preparo técnico,
- experiência,
- e uma oportunidade rara de reação.
A orientação que deixo, como Coronel e como instrutor, é direta:
Proteja sua vida, não reaja.
E como cidadão, não aceite viver em um país em que a impunidade continua sendo parte do jogo.
Segurança se faz com prevenção, educação… e certeza de punição para quem escolhe o crim